ENTREVISTA - Mendes Thame: 11 milhões de empresários informais já podem ter acesso à seguridade social
Enviado em 19 de Outubro de 2009
Publicado por Mendes Thame | Enviar por e-mail
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Autor do projeto que alterou o Estatuto da Micro e Pequena Empresa e criou o sistema Micro Empreendedor Individual (MEI), o deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) lembra que desde 1º de julho, quando entrou em vigor a Lei Complementar 128/08, cerca de 11 milhões de brasileiros que trabalham na informalidade, sem direito aos benefícios da seguridade social, têm um dispositivo a seu alcance para legalizar a situação empresarial.
No quinto mandato como deputado federal, Mendes Thame, que foca seus trabalhos parlamentares na defesa dos pequenos empreendedores, faz um alerta ao governo: 80% das empresas brasileiras fecham as portas antes dos cinco anos de vida e medidas precisam ser tomadas para reverter essa situação.
Como surgiu a ideia de criar um sistema diferenciado de impostos para as microempresas, o MEI?
O MEI nasceu da constatação de que no mundo desenvolvido o número de empresas jurídicas corresponde a 10% do de pessoas fisicas. É assim nos Estados Unidos, no Canadá, na Europa, no Japão, na Austrália. O Brasil está na contramão desses países porque, por essa lógica, teria que ter cerca de 19 milhões de empresas, e, no entanto, há apenas 6 milhões. A pergunta que norteou a elaboração do Projeto do Micro Empreendedor Individual foi justamente esta: onde estariam as empresas que faltavam? Então, apresentei a proposta para tirar da informalidade mais de 11 milhões de pequenos empreendedores que não têm sequer direito à seguridade social. Agora, todo trabalhador informal tem acesso a esses benefícios, como aposentadoria por tempo de contribuição, idade ou invalidez; seguro por acidente de trabalho; seguro-desemprego; licença e auxílio-maternidade e outros, mediante o pagamento de uma contribuição mínima e sem burocracia.
Em que sentido o MEI simplificou a vida do microempresário?
Desburocratizou a abertura e o fechamento de empresas, permitindo que novos setores econômicos possam aderir ao Simples Nacional. Criou também a Sociedade de Propósito Específico (SPE), que permite às pequenas empresas se unirem, formando uma sociedade limitada com o propósito específico de realizar negócios de compra e venda de bens, para o mercado nacional e internacional.
De que forma outro projeto, também de sua autoria, beneficia microempresas da área cultural?
O Projeto de Lei Complementar 462/09, aprovado recentemente pelo Plenário, muda o enquadramento de microempresas da área cultural no Supersimples para diminuir a carga tributária sobre elas. Pelo meu projeto, que ainda será analisado pelo Senado, essas empresas pagarão tributo de 4,5% a 16,8%, em vez de, pelo menos, 17,5%, como é hoje.
As atuais políticas governamentais protegem a indústria nacional?
O governo até adotou algumas medidas para proteger a indústria brasileira, principalmente contra importações predatórias, mas a dose foi exagerada e acabou atingindo parte da própria produção nacional. Entendo que o Brasil deve combater a concorrência desleal de certos exportadores, mas com competência. Sou autor do PL 717/03, aprovado pela Câmara, que obriga os produtos importados a seguirem os mesmos padrões de segurança que a legislação exige da indústria brasileira. Essa é uma forma de evitar a invasão de mercadorias estrangeiras sem os padrões técnicos minimamente aceitáveis, além de impedir uma concorrência predatória e selvagem. Lamentavelmente, o Brasil adota um sistema laborcida, matador de empregos, quando deveria ter um sistema laborgênico, gerador de empregos, e isso ocorre porque nossa legislação trabalhista não estimula a contratação.
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Fonte: Jornal da Câmara
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Parabéns por se empenhar muito para oferecer aos trabalhadores esta possibilidade de construirem renda de maneira organizada, formalizada, principalmente quando vemos em nossas cidades, em particular aqui em São Paulo, máfias organizadas cooptarem trabalhadores informais para seu mercado ilegal e criminoso em nossas ruas.